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Estudo sobre propriedade privada e terra agrária
O Brasil ainda não conseguiu desenvolver uma política justa, social e pacifista nesta questão da propriedade da terra, seja urbana, seja rural. Na verdade, muitos países ainda têm dúvidas a respeito desse assunto; um assunto que coloca capitalistas de um lado e socialistas do outro. A maioria dos capitalistas acha que a terra deve ser de quem tem recursos financeiros porque, assim, a “economia” do país funciona melhor, isto é, a produtividade é maior. Já os socialistas acham que a terra deve ser do Estado, para pertencer igualmente a todos porque assim a “sociedade” funciona melhor.
Quem está certo e quem está errado?... Se considerarmos a explicação do capítulo 6, concluiremos que ambos têm suas razões e ambos estão parcialmente certos. O erro estaria apenas no extremismo e no radicalismo destas posições. Portanto, a solução é unirmos esses dois conceitos desprezando, porém, a parte extremista de ambos.
Observe que, nessa questão, o método capitalista não é muito correto. A terra realmente difere de todas as demais coisas por ser um bem praticamente eterno. O preço das roupas, por exemplo, varia de acordo com a qualidade e com a durabilidade do tecido. O mesmo acontece com os eletrodomésticos, bicicletas e automóveis: quando são duráveis custam caro, quando duram pouco, custam barato.
Os lotes de terra, no entanto, são diferentes porque eles duram para sempre. A terra não tem uma durabilidade que se possa calcular (é praticamente eterna). Sendo assim, a terra deveria ser comercializada de forma diferenciada em função da sua particular característica de durabilidade perpétua.
Se calculássemos o valor da terra, satisfazendo as regras capitalistas (considerando tempo, trabalho e capital), concluiríamos que nenhum ser humano teria dinheiro suficiente para pagar por 1 metro quadrado de terra. Isso aconteceria porque teríamos que considerar duas variáveis: a primeira seria a qualidade da terra, e a segunda a durabilidade da terra. Supondo-se que a qualidade de um determinado local merecesse o índice 0,5 e a durabilidade fosse estimada em 100 anos, então teríamos 0,5 x 100 = 50, o que faria 1 metro quadrado corresponder a R$ 50,00 naquela determinada localidade. No entanto, a realidade é bem diferente porque a durabilidade da terra não se limita a 100 anos. Na verdade, ela tende a infinito.
Portanto, se a durabilidade da terra realmente tende a infinito, multiplicar 0,5 (ou qualquer outro índice de qualidade) pela durabilidade da terra, resulta sempre num valor que também tende a infinito. Agora, surge a seguinte pergunta: qual é o ser humano que tem uma quantia de dinheiro tão grande, que tende a infinito, para pagar de forma realmente legítima por 1 metro quadrado da terra?
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